30 anos da Retomada: reencontro para matar as saudades
Festa da retomada do Sindicato foi marcada pelas melhores lembranças de uma bela história

Emoção, reencontro e risadas

São Paulo - O ato político virou um reencontro emocionado de velhos amigos que não se viam há muito tempo. Abraços, beijos, lembranças de antigas histórias e muita emoção. Assim foi a festa dos 30 anos da retomada do Sindicato, promovida na quinta-feira, dia 12. Mais de duzentas pessoas participaram da solenidade, principalmente os sindicalistas que fizeram história na diretoria que assumiu a entidade em 1979 (leia frases abaixo).

> Fotos: galeria da celebração
> Leia a série produzida especialmente para lembrar a data
> Veja a Folha Bancária Especial sobre a Retomada

Luiz Gushiken, que assumiu em 1979 como vice-presidente, era um dos mais empolgados. A toda hora, o ex-sindicalista pedia o microfone para lembrar de algum dos muitos "causos" daquele tempo. "Teve uma assembléia lotada em que eu estava discursando, quando vi um coronel vindo em minha direção. A ditadura sempre mandava gente para vigiar nossas assembléias. Mas o coronel estava chegando e aí eu disparei no microfone: 'como a gente luta pela democracia, temos de fazer assembléias democráticas. Por isso, com a palavra, o coronel'. E passei o microfone para ele. O coronel discursou e até agradeceu o uso da palavra, dizendo para os manifestantes se comportarem."

A cada história contada, Tita Dias, diretora à época, confirmava a veracidade ou fazia os reparos necessários para relembrar os fatos que o tempo se encarregou de apagar. Emocionada, agradeceu à vida pelo privilégio de estar num sindicato importante e fazer parte daquela geração que colocou o trabalhador no cenário nacional. "Bancária sempre!", bradou Tita.

Luizinho Azevedo até lembrou da música que os pioneiros do novo sindicalismo cantavam para os velhos "pelegos" quando o Sindicato dos Bancários de São Paulo e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC retomavam mais uma entidade para as mãos dos trabalhadores. Por incrível que pareça, dezenas de vozes se juntaram a de Luizinho, provando que a música ainda estava na ponta da língua apesar da passagem de três décadas: "chora pelegada, pelegada chora, chora pelegada que chegou a sua hora".

Gilmar Carneiro, suplente na diretoria eleita em 1979, pegou o microfone e quase que não larga mais. E mostrou aos colegas que ainda gosta de falar e empolgar a platéia, como fazia naquele tempo em que era considerado um dos principais oradores do Sindicato. Aliás, apontar os que mais agitavam as assembléias foi um dos passatempos preferidos da noite. Assim, vinham à memória mais histórias, que puxavam outras e outras.

Nó na garganta - Muita gente segurou o choro. Outros não conseguiram. Boa parte dos presentes não se via desde os idos de 1979. "Parece encontro familiar de natal", emendou o ex-presidente da Confederação Nacional dos Bancários (CNB) Sérgio Rosa. O presidente da CUT, Artur Henrique, gostou tanto da festa que avisou: quer fazer uma igual nos 30 anos da Central, que se comemora em 2013. Depois de ouvir tantas histórias, o atual presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, só pôde agradecer aos seus precursores.

Depois da solenidade, os bancários foram até o Café para um coquetel. Mais histórias, abraços, emoção. A cada instante um novo reencontro. Alguns demoravam um pouco para reconhecer o antigo companheiro. Outros não haviam "mudado nada", assegurava o interlocutor.

Genésio dos Santos Ferreira, ex-diretor do Sindicato, parecia ter voltado no tempo. Ele havia passado a semana inteira atrás de fotos antigas e dos contatos para reunir a diretoria de 1979. Não à toa, era um dos mais emocionados. Antes de a festa começar, ouviu uma frase com a qual concordou de imediato: "estou matando saudades de mim mesmo".

Frases
Luiz Gushiken
Vice-presidente do Sindicato eleito em 1979
"O Sindicato dos Bancários foi uma escola que formou um quadro de pessoas do mais alto valor político. O vale-alimentação, por exemplo, nasceu aqui"
Gilmar Carneiro
Diretor eleito em 1979
"Nós éramos sindicalistas não só para fazer a luta dos trabalhadores, mas para batalhar pela democracia do Brasil"
Tita Dias
Diretora eleita em 1979
"Não foi uma retomada, foi a vitória do novo sobre uma diretoria composta por bancários velhos e acomodados"
Luizinho Azevedo
Diretor eleito em 1979
"Era um momento político importante e a categoria era muito grande. Com o neoliberalismo, o desemprego, as terceirizações, é muito mais difícil ser dirigente sindical hoje. Os desafios são maiores"
Marcos Martins
Deputado estadual e funcionário do Sindicato em 1979
"Mais do que funcionários, éramos militantes e até substituíamos a diretoria na ausência dos sindicalistas"
Luiz Cláudio Marcolino
Atual presidente do Sindicato
"A história que vocês construíram só aumenta a responsabilidade das outras gerações que assumiram o Sindicato"
Ricardo Berzoini
Ex-presidente do Sindicato
de 1994 a 1998 e atual
deputado federal
"O Sindicato dos Bancários sempre teve quadros importantes que hoje servem ao Brasil"
Artur Henrique
Presidente da CUT
"Quero agradecer a vocês por terem construído a quinta maior central sindical do mundo"
Vagner Freitas
Presidente da Contraf-CUT
"Esses desbravadores foram de suma importância para a construção da CUT e o fim da ditadura no Brasil"
Sérgio Rosa
Ex-presidente da Confederação Nacional dos Bancários e Presidente da Previ
"Os militantes do movimento sindical bancário sempre foram apaixonados pela luta"



Fábio Jammal Makhoul - 13/03/2009