Rentabilidade de bancos no país supera a dos EUA em 140%
Céu de brigadeiro das instituições mostra que reivindicações da categoria são viáveis

São Paulo – A rentabilidade dos 23 maiores bancos brasileiros que publicaram seus balanços no primeiro semestre de 2008 supera a de 81 sediados nos Estados Unidos, que também divulgaram seus fechamentos semestrais, em 143% no primeiro semestre de 2008. Enquanto por aqui ela bateu em 21,7%, lá ficou nos 8,9%.

Segundo estudo da consultoria Economatica, publicado pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira, dia 25, se forem levados em conta apenas os quatro maiores bancos dos dois países, a diferença vai a 300% – 28,5% contra 7,1%. Os quatro maiores bancos brasileiros são Itaú (rentabilidade de 30%), Unibanco (30%), Banco do Brasil (27%) e Bradesco (26,5%). Nos EUA são Goldman Sachs (23,2%), JP Morgan Chase (8,5%), Bank of America (5,8%) e Citigroup (-11,5%).

O estudo mostra, ainda, que o forte crescimento dos bancos no Brasil não é de hoje, já que, desde o final de 2002 até agora a rentabilidade dos bancos brasileiros quase dobrou, crescendo de 12,4% para 21,7%. Já nos EUA, ela caiu de 15,7% para 8,9%.

“Se compararmos o desempenho dos quatro maiores bancos no Brasil e nos EUA, sempre demos uma surra neles”, diz o economista Fernando Exel, presidente da Economática, que conclui ainda, segundo o Valor Econômico, que a crise enfrentada pelos norte-americanos neste ano não é a causa da diferença, apenas a ampliou.

Para Exel, dois fatores explicam a “surra”: a menor concorrência no Brasil, visto que aqui há a maior concentração bancária do mundo; e o juro alto, modalidade na qual o Brasil tem sido imbatível nos últimos anos.

“Esta é mais uma das muitas notícias que evidenciam o quanto os bancos brasileiros estão devendo para a sociedade. Têm que reduzir juros e gerar empregos. Além disso, às vésperas da nossa primeira rodada de negociação, as notícias apontar que o setor está em plena condição de atender às justas reivindicações dos bancários, dentre elas aumento de 13,23% no salário, aumento do piso até atingir o Dieese, Plano de Cargos e Salários para toda a categoria e PLR de três salários mais valor fixo de R$ 3.500, sem teto nem limitador, dentre outros pontos”, diz Luiz Claudio Marcolino, presidente do Sindicato.

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André Rossi com Valor Econômico - 25/08/2008