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Caixa freia contratações e empregados sofrem

Linha fina
Banco empossou apenas 48 bancários nos meses de março e abril. Dirigentes cobram mudança de postura
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São Paulo – Mais trabalhadores para a Caixa foi o tema central da discussão dos integrantes da Comissão de Empresa dos Empregados (CEE) e a direção do banco público na negociação realizada na terça 26.

Os dirigentes sindicais criticaram a morosidade na contratação de pessoal que praticamente foi congelada neste ano. Os negociadores da Caixa apresentaram dados, revelando que de 1º de março a 30 de abril apenas 48 novos empregados ingressaram na empresa contra a saída de 1.341 bancários, a maioria por meio do Programa de Apoio a Aposentadoria (PAA).

Esse número pode crescer, pois o prazo de saída pelo PAA expira na sexta 29.

“No ano passado conquistamos no acordo aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho a contratação de mais 2 mil empregados até dezembro deste ano. Esse número era para minimizar a situação caótica das unidades, antes desse verdadeiro êxodo provocado pelo PAA. Tem de haver a reposição dos que saíram, além de contratar mais 2 mil pessoas. Essa demora apenas aumenta a sobrecarga de trabalho”, afirma o diretor executivo do Sindicato e integrante da CEE, Dionísio Reis.

Os representantes do banco público afirmam que a média é de sete bancários por unidade, sem previsão para redimensionamento. E não se posicionaram quanto a acelerar o ritmo de contratações, apesar de já haver concursados aguardando.

O Sindicato vai reunir esses trabalhadores na quinta-feira 28, no Auditório Amarelo, a partir das 9h.

Agências punidas – Os integrantes da CEE questionaram a prática da Caixa de se dispor a atender pedido de aumento de dotação de trabalhadores em locais que atingem metas e negar às agências que não as cumprem. A Caixa confirmou que prioriza as contratações para estabelecimentos com desempenho melhor e não mostrou disposição em alterar essa política.

Dionísio critica: “O principal motivo de uma agência não ter desempenho melhor é por falta de gente. Logo é necessário atender solicitações de todas as unidades. Sem isso, tanto o trabalhador quanto a população sofrem com a precariedade no atendimento”.

Banco de Habilitados – Os dirigentes protestaram, ainda, contra o processo do Banco de Habilitados para promoção. Segundo a representação dos empregados, falta transparência e credibilidade na seleção. Além disso, pelas regras estabelecidas unilateralmente pela instituição, os candidatos nem sequer podem recorrer do resultado.

A comissão dos empregados reivindicou a suspensão da trava de seis meses, garantido o direito de todos que se sentiram prejudicados a se inscrever para uma nova seleção. A Caixa ficou de levar à área responsável as denúncias e a reivindicação.

Áreas meio – A carência de pessoal atinge não apenas a rede de agências, mas as chamadas áreas meio concentradas nos complexos administrativos. Nesses locais a dotação é mais demorada, uma vez que, obrigatoriamente, o novo contratado tem de primeiro passar pela unidade. Cobrada para dar solução, a Caixa diz estudar reestruturação para o segmento.

Substituições – O banco público voltou a negar a reivindicação da CEE de revogar a circular 055, que restringe as substituições “em cascata” de empregados que executam temporariamente funções gratificadas e cargos em comissão.

Tesoureiros – Os sindicalistas cobraram o cumprimento da cláusula 56 do acordo aditivo, que prevê melhorias nas condições de trabalho dos tesoureiros. O segmento sofre com problemas de estrutura física, segurança, falta de pessoal, entre outros. A Caixa alegou ter implementado algumas ações como a revisão das atividades com a melhoria dos processos, a digitalização de documentos, acertos operacionais e a conta acerto passou a ser centralizada na Gerência de Retaguarda. Para o segundo semestre está previsto que a conferência de cheques seja feita diretamente pela Giret e a rotina de custódia será automatizada.

Tecnologia – Outro segmento debatido foi o de tecnologia. Pelo acordo aditivo, a instituição tem de apresentar proposta de carreira para o setor até final do primeiro semestre deste ano. Os representantes do banco público informaram que está sendo feito estudo e o tema será apreciado pelas instâncias envolvidas.

Fóruns regionais – Ficou definida a prorrogação até 31 de agosto para conclusão dos trabalhos dos projetos pilotos dos Fóruns Regionais de Condições de Trabalho em andamento em Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo.

O objetivo dos fóruns é buscar medidas para prevenir e combater problemas relativos ao cumprimento da jornada de trabalho, assédio moral, cobrança por metas abusivas e falta de estrutura das unidades.

Ficou agendada para 16 de junho a primeira reunião do Fórum Nacional de Condições de Trabalho.

Saúde Caixa – A CEE referendou o acordo para destinação do superávit do Saúde Caixa com uma ressalva: que a redução da coparticipação de 20% para 15% entre em vigor em 1º de julho deste ano. A Caixa defende que isso só ocorra a partir de janeiro de 2016, mas informou que a reivindicação será analisada.

Adiantamento odontológico – Os representantes do banco confirmaram que o adiantamento odontológico foi suspenso, porque a metodologia será revista. A CEE solicitou rapidez nessa questão, pois esse recurso foi criado para custear serviços sem cobertura do Saúde Caixa.

A próxima reunião da mesa permanente de negociação foi agendada para 20 de julho.


Jair Rosa com informações da Fenae – 27/5/2015
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