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Nem aí com a segurança de bancários e clientes

Linha fina
Além de negar avanços em saúde, bancos vetam também a instalação de equipamentos de proteção à vida
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São Paulo – Festival de “nãos”. Assim pode ser resumida a rodada de negociação encerrada na quinta-feira 3, sobre saúde, segurança e condições de trabalho da Campanha Nacional Unificada 2015.

O debate, iniciado na quarta 2 (clique aqui), seguiu com os bancos se negando a fornecer aos representantes dos trabalhadores listagem com os nomes dos bancários afastados por doença. Com a reivindicação, o movimento sindical objetiva acompanhar de perto o retorno desses empregados, mas para os negociadores dos bancos isso é “burocracia” e uma prerrogativa apenas do empregador.

> Confira agenda e resultados das negociações

Após longo debate entre as partes, ficou definido que uma nova cláusula deve ser redigida detalhando a participação do acompanhamento dos sindicatos no Programa de Retorno ao Trabalho. Atualmente, a cláusula 44 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) trata do tema.

> Veja as reivindicações da Campanha 2015

“Eles consideram ingerência, mas insistimos que os sindicatos precisam acompanhar de perto esse retorno, quem são, para onde estão indo, de forma que a reinserção na rotina seja feita com respeito aos limites desse empregado adoecido, assim como achar saídas para evitar tantos adoecimentos”, afirma a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários que negocia com a federação dos bancos (Fenaban).

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Atestados – Os bancos informaram, ainda, que vão manter a postura, criticada pelos sindicatos, de rever os atestados médicos apresentados pelos bancários. Para eles, os empregadores têm direito de manter profissionais de medicina contratados para esse fim e que mudam os atestados alterando quantidade de dias de afastamento, a doença - de trabalho para comum, o tipo de adoecimento. “Segundo o CRM (Conselho Regional de Medicina) isso fere inclusive a ética médica e preceitos legais”, critica Juvandia Moreira.

Saúde volta a debate antes do fim da Campanha 2015. “Há muita gente adoecendo nos bancos, setor que se enquadra entre as empresas com maior risco de acidente de trabalho ou doença ocupacional no Brasil. Não vamos sair da campanha sem avanços para melhorar as condições de trabalho dos bancários”, acrescenta a dirigente (veja quadro ao lado).

Segurança – Os negociadores da Fenaban recusaram novamente uma antiga reivindicação que tem por objetivo proteger a vida dos bancários: a proibição da guarda das chaves dos cofres pelos trabalhadores: 100% dos sequestrados em assaltos são portadores de chaves. ”Mas os bancos chamam isso de coincidência. Eles podem e devem implemantar a abertura remota tanto dos cofres como dos estabelecimentos. Isso pode evitar o risco a que ficam expostas as vidas dos bancários que portam essas chaves e seus familiares, mas eles negam”, cobra a presidenta do Sindicato.

Os representantes dos trabalhadores insistiram, ainda, na reivindicação de instalação de equipamentos de segurança que comprovadamente reduzem a incidência de assaltos. Conquista da Campanha Nacional 2012, projeto-piloto realizado em cidades da região do Recife, em Pernambuco, entre 2013 e 2014, comprovou a eficácia da implantação de itens como porta-giratória com detector de metais, câmeras internas e externas, biombos em frente aos caixas e guarda-volumes. “Tivemos um excelente resultado, com redução de até 92% dos crimes como de saidinha de banco, assaltos e arrombamentos em várias regiões onde foram implantados os itens de segurança, mas os bancos também não querem ampliar para todo o país, mantendo funcionários e clientes em risco”, diz Juvandia Moreira. “Com essa postura, mostram que estão mais preocupados em resolver os problemas das multas que tomam justamente por não cumprirem leis de segurança que já foram aprovadas. Mais uma vez demonstraram que lhes interessa o patrimônio, e não a vida de seus funcionários e clientes”, afirma.

Instituições do porte de Itaú, BB, Bradesco, Caixa e Santander, que apresentaram lucros de R$ 60,3 bilhões em 2014, investiram em segurança e vigilância somente R$ 3,7 bilhões. “Isso representa média de 6,1% em comparação com os lucros auferidos. Muito pouco. E ainda deve piorar, já que insistem em abrir agências de negócios sem vigilantes. Os sindicatos continuarão fazendo seu papel e fechando todas as unidades onde não houver segurança para bancários e clientes”, completa.

BO e CAT – Os representantes dos trabalhadores querem estender a todas as vítimas, em casos consumados ou não, a produção de boletim de ocorrência (BO) e assistência em casos de assaltos, sequestros e extorsões. Os bancos ficaram de estudar essa reivindicação. Não concordaram, no entanto, com a emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).

Também foi cobrada estabilidade no emprego aos trabalhadores que sofreram assaltos, sequestros ou extorsão, que muitas vezes sofrem sequelas futuras e precisam estar protegidos. A Fenaban negou a demanda e o Comando dos Bancários insistiu que a reivindicação seja levada aos bancos.


Cláudia Motta - 3/9/2015
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