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Greve forte também na zona norte

Linha fina
No 11º dia de mobilização, bancários da região afirmaram que, sem proposta decente dos bancos, greve deve continuar; trabalhadores reclamam de metas abusivas
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São Paulo – “A greve tem que continuar até que os bancos façam uma proposta decente. Que no mínimo cubra as perdas com a inflação”, diz um bancário do Itaú que trabalha em uma agência (foto) localizada nas imediações da Avenida Voluntários da Pátria, em Santana, zona norte da capital paulista. A afirmação resume o sentimento generalizado dos trabalhadores de bancos da região, todos com atividades paralisadas na sexta 16, 11º dia da greve nacional da categoria.

11º dia: categoria firme e forte na greve

“Não conheço uma pessoa que achou a proposta boa. Tem colegas que têm medo de ficar comentando, falando sobre o assunto, mas tenho certeza que ninguém está satisfeito com o reajuste que ofereceram”, conta outra funcionária do Itaú.

Enquanto banqueiros não acordam do seu sono em berço esplêndido, a greve da categoria ganha mais força e cada vez mais bancários se revoltam com um setor que lucrou mais de R$ 36 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de 27,3% em relação a 2014 (somente os cinco maiores), e oferece apenas 5,5% de reajuste para os trabalhadores que construíram esse excelente resultado.

“É muita cara de pau oferecer um reajuste desse com os lucros batendo recorde atrás de recorde. A greve está forte porque está todo mundo insatisfeito”, declarou um empregado do Banco do Brasil.

Adoecimento – Além da questão da valorização do trabalho, os bancários da zona norte reclamaram de um grave problema comum a toda a categoria: a cobrança abusiva por metas, que em muitos casos leva ao adoecimento.

“O stress que passamos para cumprir metas é muito grande. Tenho um colega que está afastado. Estava surtando”, conta uma bancária do Santander. “É muita pressão. Temos que vender todo tipo de produto para um cliente que muitas vezes não está interessado. Aí sobra pra gente”, acrescenta.

Segundo o INSS, entre 2009 e 2013, o número de bancários afastados por doença cresceu 40,4%, enquanto o número geral de afastamentos no mesmo período cresceu 26,2%. Já a quantidade de benefícios acidentários por transtornos mentais e comportamentais concedidos a trabalhadores do setor entre 2009 a 2013 cresceu 70,5% (de 2.957 para 5.042), enquanto que nos demais setores o aumento foi de 19,4%.

Dentro da pauta de reivindicações da categoria consta o fim das metas abusivas e do assédio moral. Os trabalhadores cobram que as metas sejam definidas com a participação dos bancários, determinadas por departamentos/agências, e que tenham caráter coletivo.

“As metas diárias e sempre maiores dão ao trabalhador a sensação de nunca alcançar seus objetivos. Isso é altamente adoecedor e tem de acabar”, destaca o secretário de Saúde do Sindicato, Dionísio Reis.  


Felipe Rousselet – 16/10/2015
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