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Protestos contra demissões no Itaú vão aumentar

Linha fina
Alerta foi feito durante paralisação do Centro Administrativo Tatuapé; Sindicato não vai admitir aumento dos cortes de postos de trabalho e da terceirização em um banco que lucrou R$ 25 bilhões em um ano
Imagem Destaque
São Paulo – Bilhões em lucro e milhares de demissões. Contra essa lógica perversa do Itaú, que favorece meia dúzia de diretores e prejudica inúmeros pais e mães de família, o Sindicato atrasou a abertura do Centro Administrativo Tatuapé (CAT) na quinta-feira 19. Lá trabalham mais de cinco mil funcionários que sofrem constantemente com as ameaças de dispensas, principalmente por causa da terceirização.

“Sou de uma área específica que foi toda terceirizada, e graças ao Sindicato, que negociou com o banco, seremos realocados, mas o medo de demissão e terceirização no CAT é permanente. Em todas as áreas falam em demissão”, relata um bancário do SOS Internet.

A terceirização é uma estratégia do banco para lucrar ainda mais por meio da economia com gastos trabalhistas. Um funcionário terceirizado chega a ganhar 80% menos que o bancário para fazer exatamente a mesma função. E quem arca com os custos é a empresa contratada. Além de outros direitos garantidos pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, como PLR e vales alimentação e refeição, os quais os terceirizados não possuem.

“A manifestação de hoje contou com a adesão maciça dos bancários”, conta o dirigente sindical Sérgio Lopes, o Serginho. “Mesmo após a abertura dos portões, eles ficaram do lado de fora, por cerca de meia hora, em apoio ao protesto.”

Lucro nas alturas – Em 2015, o Itaú lucrou R$ 28 bilhões. De março de 2015 a março de 2016 cortou 2.902 postos (610 deles apenas no primeiro trimestre de 2016) e fechou 154 agências convencionais. Só nos três primeiros meses de 2016, o lucro líquido recorrente de R$ 5,235 bilhões.

“Com todo este ganho nós não vamos admitir que o banco terceirize mais áreas e demita os funcionários, e se isso continuar acontecendo, o Sindicato vai parar os centros administrativos quantas vezes forem necessárias até que o Itaú reveja essa política de obtenção de lucro por meio de demissões e sobrecarga de trabalho”, afirma Serginho.

A Justiça do Trabalho, por meio da súmula 331 do TST, proíbe a terceirização da atividade principal de uma empresa. Esse é o único arcabouço jurídico que protege os trabalhadores contra a prática. Entretanto, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 30/2015 (antigo PL 4330), que pretende legalizar a terceirização de todas as atividades de uma empresa, tornando inútil a súmula 331. O texto foi aprovado a toque de caixa pela Câmara em abril de 2015 e agora está no Senado.

> Veja como o PL da Terceirização prejudica os trabalhadores

Golpe contra os trabalhadores – O novo ministro do Trabalho do “governo” interino de Michel Temer, Ronaldo Nogueira, também já defendeu a terceirização irrestrita, assim como o recém-nomeado presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, economista-chefe e sócio do Itaú.

“Os trabalhadores estão seriamente ameaçados por uma série de projetos de lei e por um governo golpista que defende a retirada de direitos. O momento exige união, organização e conscientização da categoria. Participe de protestos e envie e-mails a deputados e senadores repudiando qualquer tipo de tentativa de retirada de direitos”, orienta Serginho.

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Rodolfo Wrolli – 19/5/2016
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