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Bancos têm de pagar por mau atendimento

Para colunista da Carta Capital, rankings de reclamação são ineficientes e é preciso penalidades mais duras. Categoria bancária defende regulamentação do sistema financeiro

São Paulo – Além de campeão em lucros e rentabilidade, o setor financeiro também é líder em reclamações de clientes. Nos rankings divulgados pelo Procon, os bancos por vezes desbancam o setor de comunicação, também muito reclamado. E as listas anunciadas mensalmente pelo Banco Central apontam para um grande número de queixas dos consumidores. Mas isso é apenas a ponta do iceberg, segundo o administrador de empresas e colunista da Carta Capital, Thomaz Wood Jr.

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Em artigo na revista, o administrador de empresas critica a ineficiência dos rankings de reclamação, que não resultam em melhorias dos serviços bancários à população: “Hoje, o Banco Central e o Procon fazem divulgações burocráticas de seus registros, disponibilizando tabelas superficialmente comentadas. O processo gera notícias vazias, que são respondidas com respostas vazias das áreas de relações públicas das instituições envolvidas. Divulgar os índices é necessário, mas não é suficiente.”

Para Wood Jr., a solução tem de ser aumentar a penalidade. “Acreditar que a boa vontade e o discurso voluntarioso das empresas vai mudar a ordem das coisas é utópico. (...) A solução só pode ser externa: tornar as penas mais duras ou aumentar seu impacto simbólico.” Ele cita como exemplo o caso das montadoras de carros, que se tornaram mais seguras após pressão da sociedade. “Os automóveis não se tornaram mais seguros por causa da boa consciência social e da generosidade das montadoras, mas graças ao efeito de denúncias e campanhas públicas de sensibilização, que relacionaram ações supostamente racionais dos fabricantes com acidentes trágicos e mortes. A regulamentação e as práticas que se seguiram beneficiaram consumidores e as próprias montadoras.”

Regulamentação – O Sindicato defende que as soluções passam pela regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, que é um dos itens da pauta de reivindicações da categoria, aprovada por bancários de todo o país na 15ª Conferência Nacional da categoria, realizada em julho.

A presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, reforça que um dos caminhos para isso é a realização da Conferência Nacional do Sistema Financeiro, para que a sociedade também opine e participe. “Os bancos são concessões públicas, mas não agem com responsabilidade social e em prol do desenvolvimento do país. Isso tem de mudar”, afirma.

A dirigente lembra ainda que, no caminho oposto a esse, as instituições financeiras têm apostando em corte de postos de trabalho. “Além de gerar desemprego para o país, a diminuição do número de bancários piora ainda mais o atendimento a clientes e usuários. Nós também estamos reivindicando mais emprego e melhores condições de trabalho nas mesas de negociação com a federação dos bancos (Fenaban). O bancário não pode ser submetido a pressões constantes por vendas de produtos, com metas abusivas, e nós defendemos ainda a venda responsável de produtos, para clientes e para a categoria”, diz Juvandia.

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Redação, com informações da Carta Capital – 19/8/2013

 
 
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