História

 

Nasce um grande movimento


A Associação dos Funcionários de Bancos de São Paulo teve seu estatuto aprovado em 16 de abril de 1923, em assembleia da qual participaram 84 bancários. A preocupação inicial era credenciar os bancários à entidade e criar uma identidade da categoria, até então integrada aos comerciários. Menos de 10 anos depois aconteceu a primeira greve de bancários da história, iniciada em Santos, em 18 de abril de 1932. Eram os funcionários do Banespa que reivindicavam melhorias salariais e das condições sanitárias – havia grande incidência de tuberculose à época. Essa greve foi vitoriosa; entretanto, a conquista que marcou a década de 30 foi a redução da jornada de trabalho para seis horas, em novembro de 1933. A Associação passou a chamar-se Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A primeira greve nacional da categoria bancária foi deflagrada em julho de 1934, com duração de três dias. Objetivava, basicamente, a conquista de três direitos: aposentadoria aos 30 anos de serviço e 50 de idade, estabilidade no emprego a partir de um ano trabalhado e criação de caixa única de aposentadoria e pensões. Era o governo de Getúlio Vargas, a quem os trabalhadores reiteradas vezes haviam reivindicado a criação do IAPB, o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários.

Com a paralisação, veio o resultado: pelo decreto-lei 24.615, de 9 de julho de 1934, nasceu o IAPB. Só em fevereiro de 1955, porém, a regional do instituto em SP passou a ser comandada por um bancário, Alfredo Dal Monte, eleito por aclamação da categoria. Mas Dal Monte permaneceu apenas um mês no cargo, sendo demitido pelo presidente da República Café Filho. O posto lhe foi restituído por Juscelino Kubitschek em 1958. Marco na história da categoria, o IAPB expandiu e incrementou sua área de atuação. Em 1966, sob protesto, os bancários foram incorporados aos serviços previdenciários unificados no País. 


A história cria a homenagem


Sabe como nasceu o Dia dos Bancários, comemorado em 28 de agosto? Em uma grande assembléia; ou melhor, de uma grande assembléia, realizada nesta data no ano de 1951. Nela os bancários de São Paulo decretaram greve após ouvir contraproposta dos patrões que consideraram inaceitável. À reivindicação de reajuste de 40%, salário mínimo profissional e adicional por tempo de serviço, a resposta foi a exclusão dos dois últimos e reajuste parelho com os índices oficiais do custo de vida. Embora bancários de outros estados tenham aceitado o acordo, os paulistas desprezaram o que consideraram "gorjeta", e enfrentaram 69 dias de greve sob repressão do DOPS e pressão até de outros sindicatos da categoria. Em 5 de novembro, a Justiça concedeu reajuste de 31%, pondo fim à paralisação.

A participação feminina já se fazia presente, mas foi apenas em 1957 que o Sindicato ganhou suas primeiras diretoras, Consuelo Toledo e Silva e Maria Aparecida Galvão, esta última a primeira mulher a fazer parte da equipe de redação da Folha Bancária. Ainda neste ano, a categoria conquistou a almejada jornada de seis horas para todos os funcionários dos bancos e a aposentadoria por tempo de serviço.


Os anos de chumbo


Os efervescentes anos 1960 começaram com lutas e conquistas. Na campanha de 1961, configura-se nova paralisação nacional, a terceira da categoria. Chamada “greve da dignidade”, resulta em nada menos que 60% de reajuste, fortalecendo a recém-criada Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec, oficializada em 1959) e a mobilização para a aprovação da Lei 4.090, que instituiu o 13º salário. No ano seguinte, organizados em torno da Contec, mais uma vez os sindicatos da categoria partem para ações unificadas, garantindo direitos como o fim do trabalho aos sábados, abonos semestrais nos salários e anuênio. Mas, a partir de 1964, o golpe militar fere de morte a organização social brasileira e, ao fechar seu círculo opressor com o AI-5, em 1968, atinge duramente os integrantes do movimento sindical, com grande parte de suas lideranças presa ou assassinada e intervenções nas entidades. É apenas a partir de 1974 que o refluxo aos anos de chumbo começou a se fazer presente. O movimento sindical só voltou a se articular nessa segunda metade da década, em especial no ABC paulista. 


A retomada da liberdade


Em 1979, a oposição bancária de São Paulo assumiu a direção do Sindicato. É um início difícil, mas cheio de esperança. É preciso voltar a organizar a categoria, ressabiada pela forte repressão, e estar atento à incipiente retomada para o processo democrático. Paralelamente o Sindicato participa da luta pela anistia ampla, geral e irrestrita – sancionada em agosto de 1979 e umas das bandeiras da diretoria eleita pela oposição bancária. 





Floresce o novo sindicalismo


Os passos iniciais da retomada dos sindicatos verificados no final da década de 1970 encontraram ressonância não apenas em uma maneira diferente de se comunicar com a base mas também na criação de uma nova estrutura sindical. Em 1983, nasceu a Central Única dos Trabalhadores, a CUT, com ativa participação dos bancários – um ano antes, a categoria já havia conseguido unificar sua data-base nacionalmente. A década de 80 também reservou para a história do Sindicato aquela que foi até agora considerada como a maior greve de bancários do Brasil, a primeira pós-1964, mobilizando, em 10 de setembro de 1985, cerca de 500 mil trabalhadores. “Resgatamos nossa dignidade”, registrou a Folha Bancária em sua edição de 13 de setembro de 1985. No ano seguinte, foram reconhecidos como bancários também os funcionários da Caixa Econômica Federal, anteriormente tratados como economiários. Ao contrário do turbulento final dos anos 1970, quando as iniciativas de paralisação não prosperam, a década de 1980 solidificou um processo de participação e conquistas para a categoria, uma trajetória contínua até 1983, quando aconteceu a intervenção na entidade. 

A arbitrariedade da intervenção


Em 21 de julho de 1983, o então ministro do Trabalho Murilo Macedo determinou intervenção nos sindicatos, entre eles o dos bancários de São Paulo. Menos de um mês depois, diretores sindicais foram cassados e assumiu a junta interventora. É o governo agora quem tem medo do crescimento da organização popular e dos trabalhadores em suas entidades. Nos bancários, a decisão é de continuar na ativa como se nada tivesse aconteceido, com os diretores sem deixar de vir à entidade e organizando assembléias e manifestações, ainda que tivessem muitas vezes de ser realizadas em outros locais, pois os interventores chamavam a polícia. Nesse período infame, a Folha Bancária não deixou de circular diariamente, acrescentando a seu nome a palavra "Livre". A luta pelo fim da intervenção nos sindicatos cresceu e se espalha em atos de protesto que sensibilizaram a sociedade e contaram com a presença de sindicalistas, trabalhadores e personalidades públicas. Naquele ano, a campanha foi a dissídio no TRT, pois os interventores não puderam respaldar o valor oferecido pelos patrões sem o aval de assembléia, que os legítimos diretores do Sindicato boicotaram por conta da falta de diálogo. A inútil intervenção durou 20 meses, demonstrando que não é no espaço físico que reside a força de uma categoria. Em 8 de março de 1985, o Sindicato voltou às mãos dos bancários com a vitória da chapa Resistência, encabeçada por Luiz Gushiken.


Na praça pelas Diretas-Já


A sociedade brasileira pós-golpe voltava lentamente a se rearticular em suas entidades, conseguia dar novo impulso ao sindicalismo, mas ainda não podia votar para presidente da República. Começou, então, o grande movimento pelas Diretas-Já, que culminou no imenso comício de 25 de janeiro de 1984 na Praça da Sé. A cor amarela, símbolo da campanha, foi estampada nas roupas dos brasileiros, ávidos em reaver o direito de depositar seu voto nas urnas para escolher o comando do País. Mesmo ainda sob intervenção, o Sindicato participou ativamente dessa campanha, com a organização de comitês pró-Diretas nos bancos e o vitorioso movimento por eleições diretas para o Corep e Direp do Banespa. Apesar da decepção com o acordo das elites que elegeu Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, 1985 trouxe nova frente de batalha para a categoria e sua entidade: a briga pela convocação de uma assembléia constituinte. A partir de agosto deste ano, os sindicalistas participaram da formação do Plenário Pró-Participação Popular na Constituinte, fundamental para a elaboração de emendas de iniciativa popular.
 


A histórica greve de 1985


Recém-empossada, após os duros meses de intervenção, a diretoria do Sindicato iniciou mobilização pelo reajuste trimestral dos salários. A aceleração do processo inflacionário provocava perda mensal de 10% no poder aquisitivo dos bancários. A campanha salarial nacional de 1985 foi estruturada de forma a mobilizar a opinião pública sobre a situação vivida pelos bancários e mostrar os banqueiros como inimigos públicos. No Dia Nacional de Luta de 28 de agosto, o Brasil inteiro viu os bancos fecharem suas portas e os bancários nas ruas, em protesto. Em São Paulo, 30 mil bancários saíram em passeata, na maior manifestação realizada pela categoria. Os bancários realizaram uma greve histórica: entre os dias 10 e 12 de setembro o maior centro financeiro do país permaneceu de portas fechadas.



A hiperinflação bate à porta


Inflação galopante, recessão, automação e fim de postos de trabalho. Assim começaram os anos 90 e, quando parecia que nada poderia piorar, o Brasil elegeu Fernando Collor de Mello, cuja primeira medida foi confiscar a poupança da população. Contra as medidas econômicas que atingiram diretamente o trabalhador, os bancários organizaram manifestações e protestos criativos e bem humorados, que incluiram greve nacional de sete dias, na qual foram conquistados os tíquetes refeição e alimentação (que os banqueiros costumam chamar de benefício). Engajada, a categoria também foi atuante no movimento que, em 1992, provocou o impeachment do primeiro presidente eleito após o período de ditadura militar. O povo exigiu: fora Collor! 



Estrutura consolidada


No final dos anos 1980 e início dos 1990, o Sindicato amplia o patrimônio da categoria e seus canais de comunicação com os bancários. Além da Folha Bancária – que circula desde 1924, nos primeiros anos com o nome de Vida Bancária – foram criadas a TV, a Rádio e a Revista dos Bancários. Foi também na década de 1990, precisamente em 1993, que o Sindicato ganhou nova sede, no tradicional Edifício Martinelli, na Rua São Bento. No mesmo período foi inaugurada a Bangraf, Gráfica dos Bancários, uma das mais bem equipadas de São Paulo e importante ponto de apoio à luta da categoria. Essa aquisição permitiu à entidade um planejamento financeiro e a possibilidade de deixar de cobrar de seus associados o imposto sindical compulsório. Uma ação movida pelo Sindicato derrubou esta cobrança em 1996, antecipando o que ainda hoje é motivo de discussão em outras tantas categorias. Durante uma década a entidade conseguiu manter liminar que impediu o desconto dos bancários de São Paulo, Osasco e região, mas a liminar foi cassada pela Justiça em 2005 e, desde 2006, a entidade devolve a parte  que lhe cabe do imposto ao bancário cadastrado. A atuação do Sindicato pela melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores vai além e, em 1996, foi criada a cooperativa habitacional dos bancários, Bancoop, com o objetivo de dar aos trabalhadores da categoria oportunidade de realizar o sonho da casa própria.


Os sinais da esperança


O pioneirismo sempre foi marca da categoria bancária. Foi a primeira a assinar acordo único válido para todo o país, em 1992, ano de fundação da Confederação Nacional dos Bancários (CNB). A Participação nos Lucros e Resultados veio em 1995. A discussão sobre igualdade de oportunidades entrou na convenção em 2001. Tudo isso aconteceu num período em que o movimento sindical se viu pressionado por dificuldades decorrentes do aumento do desemprego. O final do século 20 foi marcado pela forte internacionalização da economia e pelas privatizações promovidas em toda era FHC – Fernando Henrique Cardoso esteve na presidência do país de 1994 a 2002. A farsa do real estável caiu por terra. Empresas fecharam suas portas e o desemprego atingiu recordes históricos.

O povo deu sua resposta nas urnas. As eleições de 2002 levaram à presidência o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. 


Um novo caminho


Os primeiros anos do governo Lula marcam a retomada das mobilizações de massa da categoria, com greves, passeatas e atividades constantes. Um dos principais resultados da mudança de rumo que se consolidou no segundo mandato do metalúrgico e ex-líder sindical foram os avanços na distribuição dos lucros e resultados e no aumento real nos salários. Outro fato marcante do período foi o retorno do crescimento no número de bancários, após queda verificada durante a segunda metade dos anos 1990 e início do novo milênio.

Os bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil tiveram seu direito de representação sindical finalmente respeitado, recuperaram a maior parte dos direitos retirados durante os oito anos de mandato de FHC e alcançaram outras conquistas, como o direito de participação nos lucros. Em 2004 aconteceu a primeira campanha nacional unificada entre funcionários de bancos públicos e privados, que culminou na greve dos 30 dias.

Os bancários receberam aumento real em todas as campanhas nacionais unificadas desde 2004 e, a cada ano, garantem acordos melhores para a PLR.
Nas negociações banco a banco a entidade conquistou aos trabalhadores a isenção da cobrança de tarifas.

Outra luta antiga do Sindicato foi vencida: com a exceção vergonhosa do Bradesco, todos os grandes bancos passaram a conceder auxílio-educação para seus funcionários, pagando parte ou a totalidade das mensalidades de faculdades. Na campanha de 2007, foi conquistada a 13ª cesta-alimentação e, na campanha de 2009, duas novidades: a extensão da licença-maternidade de quatro para seis meses e a extensão de direitos, como plano de saúde, a casais do mesmo sexo. Novas vitórias que se somaram a tantas outras obtidas em quase 90 anos de existência do Sindicato.

A estabilidade econômica, com crescimento médio de 3,6% da economia a cada ano desde 2002 e a criação, no mesmo período, de 10,8 milhões de novos postos de trabalho no mercado formal, reforçaram o poder dos trabalhadores e deram base para a política de valorização do salário mínimo e da correção da tabela do IR, entre outros avanços importantes garantidos durante os oito anos do governo Lula.

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