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Nossa Caixa
 
Créditos tributários aumentam lucro da Nossa Caixa
Recurso foi utilizado pela direção do banco para apresentar crescimento no semestre



São Paulo – Pelo segundo ano consecutivo, a direção da Nossa Caixa teve de lançar mão de créditos tributários para fechar o balanço semestral de forma positiva.

A medida passou a ser adotada no ano passado, quando o governo Serra obrigou a empresa a desembolsar R$ 2 bilhões para a compra das contas dos servidores públicos estaduais. “Está havendo uma verdadeira ‘sangria’ no banco para saldar sua dívida com o governo estadual. Mesmo o bancário trabalhando feito um louco, isso não está sendo suficiente para cobrir o rombo deixado pelo governador”, ataca a diretora do Sindicato Raquel Kacelnikas.

No balanço divulgado pela instituição financeira nesta semana, consta o lucro líquido de R$ 525,7 milhões, 36,4% maior em relação a 2007. No entanto, para chegar a esse resultado, a empresa “ativou” R$ 609,9 milhões em créditos tributários. “É uma medida prevista pelo Banco Central. No entanto, ela só está ocorrendo, repito, pelo golpe desferido pelo governo Serra na Nossa Caixa. Aliás, não podemos nos esquecer que será a partir do lucro de R$ 525,7 milhões que serão pagos os dividendos ao governo estadual. Serra receberá os dividendos e, depois, os recursos pela incorporação, caso venha a ser concretizada”, diz Raquel.

Outro fator que implicou no resultado ruim está no aumento de provisões para ações trabalhistas e judiciais, principalmente as correções das poupanças nos planos Bresser, Verão e Collor, totalizando R$ 730,1 milhões.

Por outro lado, nesse mesmo período, de acordo com o balanço do banco, 1.078 funcionários foram desligados. “A perda de pessoas experientes, que vem acontecendo desde 2004, com certeza também influiu para esse resultado. Uma saída que sobrecarregou todos os funcionários e que tem tornado a vida dos trabalhares um verdadeiro inferno, com assédio moral, pressão para o cumprimento de metas abusivas. Estamos cobrando que o banco pare com isso, nada justifica as demissões”, acrescenta Raquel.

No primeiro semestre, o banco também teve uma forte expansão de sua carteira de crédito, que atingiu R$ 10,6 bilhões, número 29,1% acima do registrado em junho de 2007. O destaque ficou para o empréstimo consignado, que cresceu 34,4%. “O que prova que os trabalhadores têm participado diretamente na luta pela boa performance da empresa, em que pese o desinteresse do governo Serra”, acrescenta Raquel.

Jair Rosa - 15/08/2008




 
 
 
 
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