São Paulo - Há trinta anos, no dia 12 março de 1979, tomava posse no Sindicato a primeira diretoria eleita democraticamente pelos bancários desde o início da ditadura militar. O endurecimento do regime com a edição do AI-5, em 1968, havia atingido em cheio o movimento sindical, com grande parte de suas lideranças presas ou assassinadas. Depois de anos de repressão e intervenções, em meados da década de 1970, com o refluxo dos anos de chumbo, o movimento sindical volta a se rearticular, em especial no ABC paulista.
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O bancário Augusto Campos, um dos líderes da oposição bancária e que assumiu a presidência do Sindicato em 1979, lembra daquele momento histórico. “Nós éramos oposição à estrutura sindical vigente. Em 1974, o então MDB teve uma vitória eleitoral esmagadora, que, se não aumentou o nosso grau de liberdade, diminuiu os espaços da repressão. Assim, sobrevivemos à ditadura”, conta Augusto.
A retomada do Sindicato dos Bancários de São Paulo foi de extrema importância para a redemocratização do Brasil. Foi fundamental, também, para a construção do novo sindicalismo, que culminou com a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1982.
“A CUT nasceu porque era necessário que nós nos assumíssemos como classe trabalhadora. Precisávamos enfrentar os patrões como classe. O patronato defende um salário mínimo baixo, uma informalização absurda e que a CLT somente trate dos direitos individuais dos trabalhadores. Os patrões trabalham com um desemprego alto, uma vergonha de remuneração do FGTS (3% a.a.), o trabalho infantil e o trabalho escravo. E, mais importante de tudo, é que querem se apoderar de todo avanço de produtividade e socializar seus prejuízos. Assim, por mais que nós bancários sejamos organizados, seremos fracos, se não tivermos uma central que possa realmente organizar a todos nós como classe trabalhadora”, destaca Augusto.
Assim que começou a abertura política no Brasil e o bipartidarismo acabou, os trabalhadores se organizaram ainda mais para ser protagonistas da reorganização partidária. “Não aceitamos ser o departamento sindical do então MDB e procuramos criar um partido político que nos representasse não só como trabalhadores, mas principalmente como cidadãos em busca de uma sociedade igualitária. Fato mais que auspicioso foi a vitória do PT, com a eleição do companheiro Lula para presidente da República. Quantos quadros do movimento sindical não foram servir a essa bandeira? Luiz Gushiken, Ricardo Berzoini, Jair Meneguelli, Paulo Okamoto, José Pimentel, Luiz Dulci, Olívio Dutra”, enumera.
Futuro – Para Augusto Campos, a comemoração dos 30 anos da retomada do Sindicato deve apontar para os novos sindicalistas que um bom caminho foi percorrido, mas que não é suficiente. “Nossa caminhada ainda é dura, com novas idéias, novos valores, e aí comemoraremos mais. Não sou um saudosista que lembra das dificuldades da ditadura. Temos que olhar, sim, para o futuro, porque os desafios para uma geração serão sempre os mais difíceis, porque é sua existência, seus sonhos, seus valores”, finaliza.
Comemoração – Nesta quinta-feira, dia 12, o Sindicato realiza um ato solene em comemoração aos 30 anos da retomada da entidade. Lideranças do movimento que protagonizaram a luta dos trabalhadores no final dos anos de 1970 estarão presentes para falar dessa história de sucesso. Após a solenidade, haverá uma confraternização no Café dos Bancários.
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Fábio Jammal Makhou - 12/03/2009