São Paulo – As negociações das questões de saúde, que devem ter início na terça-feira, dia 9, dentro do calendário da Campanha Nacional 2008, interessam muito aos bancários que contraíram doença ocupacional devido à falta de condições de trabalho e que, depois do período de afastamento, retornam às funções.
Os vários relatos que chegam ao Sindicato têm sempre um ponto em comum: todos revelam um verdadeiro drama repleto de discriminação, falta de perspectiva e ambiente de trabalho totalmente desfavorável. Ingredientes suficientes para baixar a auto-estima dessas pessoas. Os bancários reivindicam um programa de reinserção deste grupo de trabalhadores.
“A cultura dentro das instituições financeiras é discriminar e depois demitir. Queremos negociar um programa para que esses trabalhadores possam retomar sua vida profissional sem dificuldades. Mesmo porque, quem adoeceu o bancário foi a própria instituição que não ofereceu condições de trabalho dignas”, afirma o secretário de Saúde do Sindicato, Walcir Previtale.
Discriminação - Uma funcionária do Santander que não quer se identificar conta que quando retornou ao trabalho foi discriminada, o que aumentou seu problema de saúde. “Fiquei seis anos afastada. Quando voltei às minhas funções, as pessoas no meu departamento não davam nem bom dia. Ficava durante o expediente lendo revista e ouvindo piadinha desrespeitosa”, relata.
A bancária conta que diante do ambiente hostil desenvolveu síndrome do pânico e foi obrigada a se afastar novamente e a entrar com uma ação contra o banco por discriminação. “Houve uma mudança de postura em conseqüência do processo que eu movi. Hoje retomei minha função, mas com certeza sem a ação continuaria ouvindo piadinhas desrespeitosas”, revela.
A trabalhadora fala da sua expectativa com a negociação de saúde. “É preciso que os bancos criem um programa de reabilitação com psicólogo e assistência social para que os trabalhadores possam retomar sua carreira sem discriminação.”
No Unibanco o problema não é diferente. Uma bancária que se afastou por 11 meses por causa de uma depressão relata que ao retomar suas funções sentiu na pele o preconceito dos chefes e colegas. “As pessoas vêem a gente como fracos. Os colegas não se misturam e ainda isolam. Ouvi muitas brincadeiras sutis”, diz.
A bancária relata que ao retornar às funções o ambiente ficou ainda mais propício para desenvolver outras doenças por causa da discriminação. “Ficamos sem auto-estima. Havia recomendação tanto do médico do banco quanto do INSS de procurar um outro departamento, mas o Unibanco ignora e manda a gente se virar para encontrar um outro setor”, desabafa.
Para amenizar o problema, ela defende a criação de um departamento para buscar a reintegração de trabalhadores que sofreram com as doenças ocupacionais.
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*Atualizado às 18h do dia 9/9/2008
Carlos Fernandes - 08/09/2008